domingo, 1 de janeiro de 2012

Filha de Ártemis - Cap 3 - parte 1

Capítulo 3 - Problemas e Enigmas? Sempre...

Ps: Esse é o templo que aparece no sonho.




POV : Will

Fazia apenas seis horas que tinha começado a correr. Parei num beco para descansar. Sentei no chão e fechei os olhos, em menos de cinco minutos adormeci e sonhei.
O lugar do sonho fazia qualquer pessoa que gosta de Mitologia Grega ficar de boca aberta.
Simplificando, eu estava adorando. Era um lugar amplo, de mármore, estava sendo iluminado pelo luar. Havia alguém conversando lá dentro. Estava curioso, então entrei. Lá dentro era tão incrível quanto o lado de fora. Dentro havia pilastras que sustentavam o teto, no meio havia uma estátua de uma mulher com arco e flecha ao lado de um αρσενικό ελάφι (cervo). Era um templo dedicado para Άρτεμις (Ártemis), supus.
Duas pessoas estavam conversando embaixo da estátua. Me aproximei mais, a escuridão não ajudava. Eram mulheres, e pelo tom de voz estavam discutindo.
- Minha filha é muito preciosa, não irei reclama-lá amanhã!! - falou a mais alta.
- A minha é mais importante!! - a outra gritou.
- A sua!? A minha que vai nos ajudar, a sua é uma parte bem pequena!!
Agora as duas estão gritando, a coisa deve estar muito ruim.

- Pare!! Você é poderosa, mas eu sou mais importante!!
- Não é não!! Eu e você somos praticamente iguais!!
- Daqui duas semanas!! Nem mais, nem menos. Está bom para você?
Se continuar assim, vou acordar com dor de cabeça.
- Melhor. Mas não, tem que ser no ηλιοστάσιο (solstício).
- Por quê? τύπου (Prima)?!
- Quieta! - isso foi um sussurro tão baixo que mal ouvi.
- Por quê?
As duas sussurrando.
- Achei que seu irmão que fizesse as perguntas bobas.
- Alguém está sonhando. Não?
- Sim.
Elas se viraram e me viram. A alta parecia que estava com seus vinte e poucos anos, tinha o cabelo σκούρο καφέ (castanho escuro) e os olhos da mesma cor, mas um pouco arroxeado.  A outra aparentava, no máximo, treze anos. Seus cabelos eram de um castanho claro, os olhos eram de uma cor bem diferente, κίτρινο ασήμι (amarelo prateado), como a lua.
- Garoto, você não contará a ninguém sobre essa conversa!! Está certo?
As duas falaram isso no mesmo tom de voz, muito σοβαρή (severo), τρελός  (raivoso) e que diz: ' A punição será severa se você recusar! '
- Sim. - falei com a voz tremendo. Eu não sei como percebi, mas senti que o poder em volta delas estava um pouco instável, pronto para explodir.
Elas olharam entre si uma última vez antes do sonho acabar.
***
Acordei e o sol estava raiando. Peguei algumas bolachas que tinha colocado na mochila e levantei. Andei mais algumas quadras. Ouvi um bater de tambor, como devia ter uma escola de musica por perto não me importei. Continuei andando, mas o barulho me seguia. Só aí que percebi, eram apenas seis da manhã!! Que escola de música abre essa hora?
Olhei por cima do ombro e... Congelei.
Um mini-Cérbero estava me seguindo. Mini, primeiro porque acho que o real é πολύ (MUITO) maior. Segundo, esse devia ter quase três metros. Nas histórias o original tem quase seis.
O olhar dele me παρέλυσε (paralisou), não conseguia andar. Ele chegava cada vez mais perto, era possível sentir o chão tremer enquanto ele corria na minha direção. Ele chegou tão próximo que senti a respiração dele no meu pescoço. Depois senti o bafo, estava quase morto. Eu ia virar ração de κουτάβι γίγαντας σκύλος (cão filhote gigante).
Uma coisa me surpreendeu. Ele não me mordeu, bom, não exatamente. Ele me segurou pelo colarinho da camisa e andou. Não sabia para onde ele estava me levando. Fechei os olhos, esperando que fosse apenas um pesadelo e que não demorasse a acabar.
- σημαίνει το κουτάβι σας !! (Seu filhote malvado!!) Σου ζήτησα να το φέρει στη ζωή !! (Pedi para você trazer ele vivo!!)
Levantei a cabeça, era uma velhinha gritando. Ela era mais baixa que eu, devia ter por volta de 1,55. Tinha a aparência severa, cabelos brancos e olhos de um verde claro experiente. Quando viu que eu estava acordado quase pulou de φόβος (susto), mas logo em seu rosto sua expressão se tornou ανακουφισμένος (aliviada).
- ό, τι καλό είναι ζωντανός !! (Que bom que está vivo!!) Ah, desculpe. É um velho hábito falar grego antigo.
Ela falou isso com a voz bem doce. Isso normalmente quer dizer, em minha opinião: problema. Quem é ela? Por que ela mandou um cachorro gigante atrás de mim? O que ela quer comigo?
Agora que percebi, que as outras duas cabeças do monstro estavam me olhando bem estranho. Comecei a me sacudir, as três cabeças rosnaram, mas continuei. Só depois que a velhinha notou.

- Solte-o Ale!! – falou a vovó com uma voz poderosa. – μαρκίζα (Alero), volte para casa. Agora!!
O bicho só abriu a boca, em outras palavras, eu me estatelei no chão. Levantei rapidamente, e tirei um pouco da poeira que estava em minhas roupas e me preparei para ir embora.
- Não. Você fica.
Eu vi uma expressão τρομακτικός (assustadora) tomar conta do rosto daquela velhinha ‘inocente’. Ela chegou até mim num piscar de olhos e agarrou minha camisa.
- Você só sai daqui quando eu quiser, ouviu? – a voz estava mais απειλή (ameaçadora) do que antes.
Apenas acenei a cabeça num gesto de afirmação. Ela é um monstro, pensei, certeza absoluta. Ela me levou para dentro de uma casa. A porta de entrada marrom levava a uma sala bordô. Havia algumas poltronas roxas no meio do cômodo, duas delas estavam ocupadas com idosas parecidas com a que me segurava. Elas pareciam mais... Selvagens? Não, agressivas.
Consegui me livrar do aperto daquela senhora.
- Quem são vocês? – perguntei esfregando o braço.
- As senhoras que ninguém quer encontrar após a morte. - Responderam as três juntas, num tom que indicava que, entre elas, é uma piada.
As duas que estavam sentadas se levantaram, e começaram a se aproximar.
- Olhe se não é o domador dos fracos. – disse a que estava à direita.
- Vamos fazer o que com ele irmã? – a outra.
Quando chegaram a menos de dois metros de mim se afastaram como se tivessem levado um choque.
- Quietas!! Não vamos machucá-lo, por enquanto. E vocês parem de se vangloriar, eu fui à única que foi forte o suficiente para suportar ser repelida.
- Mas e o Alero? - Falaram as outras duas.
- Caso á parte, chega de perguntas. – disse voltando-se para mim – Você vai para o quarto, talvez tenha alguma coisa para comer lá.
Fui para a porta que ela indicou. E, logo que entrei, tranquei a porta.
O cômodo era bem iluminado, as paredes eram de um azul cinzento sem brilho. A cama estava arrumada, em cima da escrivaninha, tinha uma bandeja com comida. Eu estava morrendo de fome, mas ignorei esse detalhe. Me joguei na cama e tentei descobrir qual tipo de monstro aquelas velhinhas eram.
Quando estava quase pegando no sono lembrei. Só em descobrir quase tentei fugir pela janela, mas estava trancada por fora (não perguntem).

Só em pensar já me assustava com a sorte que estava tendo, afinal elas não tentaram me machucar, ainda. Continuei na cama tentando me acalmar, antes de tudo escurecer pensei.
Fúrias.

Uma crônica: Natal é sempre Natal


Observações: esse texto eu não escrevi, mas achei tão lindo e mágico que decidi posta-lo.
Para ler no blog original clique aqui.


"A árvore estava finalmente montada. Levara uma tarde inteira para montá-la e enfeitá-la. Estava com alguns arranhões nos braços por tê-la montado sozinha. Mas valera a pena. As pequenas bolas vermelhas e douradas meio descascadas balançavam levemente com o vento. As luzes amarelas piscavam vagarosamente no fim da tarde. Os outros enfeites estavam ainda mais desgastados, pingentes em forma de flocos de neve, onde o Feliz Natal do meio, antes dourado, agora eram apenas manchas de amarelo. Os outros enfeites eram bem improvisados: clipes meio enferrujados em formato de presentinhos, pedaços vermelhos da lata de Coca-Cola cortados em forma de capuzes de papai Noel (esses haviam dado trabalho). A estrela prateada no topo era a única que se mostrava bem-preservada.
 Ela pôde então, colocar finalmente, sua pequena caixinha de presente debaixo da árvore. Esperava que Mikey a obedecesse e não derrubasse a árvore.
 Assobiou, e em um instante o cachorro estava à seu lado, o pelo encardido pela fuligem do quintal. Ele havia ajudado a montar a enfeitar a árvore, no começo, mas depois resolveu ir brincar de assustar os passarinhos.
 Mikey farejou os pedaços de enfeites velhos no chão, pegou uma bolinha que já era totalmente sem tinta e deu na mão de Lucy. Ela sorriu e afagou o seu pescoço. "Obrigada, Mik. Hora do banho, você não pode ficar com esse pelo sujo na noite de Natal." Mikey correu para fora, querendo sair, mas não tinham tempo. Iriam ver os fogos à meia-noite, mas ainda eram 17:00 h, ela precisava preparar alguma coisa para sua pequena ceia, para ela e para quem aparecesse. Lucy desconfiava de queninguém ia aparecer, mas nunca se sabe. Além disso, tinha Mik, ele amava qualquer coisa que lhe dessem para comer, com excessão de abacaxi e comida chinesa. Lucy ainda não o entendia nesse aspecto.
 Encheu uma bacia grande com água e pegou os shampoos de Mikey. Demorou uma hora, como sempre, para dar-lhe banho, terminando com a menina ensopada e com olhos ardendo, e poças de água espalhadas pelo quintal inteiro, mas Mikey estava com o pelo branco novamente. Lucy secou-o o máximo que pôde com o velho secador de cabelo e deixou-o na sala, dizendo antes de tomar seu próprio banho: "nada de mexer na árvore ou de ir pro quintal, senão não sairemos para ver os fogos". Recebeu uma lambida no rosto como resposta, então levantou-se e foi para o banheiro.
 Depois de tomar um banho e colocar um vestido amarelo de verão, encontrou Mikey do modo como o havia deixado, assistindo TV. Lucy sempre deixava no canal dos desenhos animados. Sorriu, coçou-o atrás das orelhas e foi para a cozinha.
 Assou um peru, fez uma farofa e arroz com uvas passas. De sobremesa, fez um pudim e gelatina de morango.
 Quando deu por si, já eram 20:00 horas. Ficou surpresa por Mik ter ficado quieto por aquele tempo todo. Foi encontrá-lo na sala, dormindo ao lado da árvore de Natal. Lucy sorriu e foi arrumar-se.
 Arrumou o cabelo (o que não era exatamente um desafio para ela, já que tinha os cabelos negros e escorridos da mãe, cujo único prejúizo eram os nós depois de uma longa noite de sono), preparou um vestido vermelho escuro que havia usado em sua formatura... puxa, já fazia um ano. Agora estava no Ensino Médio, e dali a dois meses faria 16 anos. Havia se mudado para aquela casa à 2 horas da mãe, padrasto e meios-irmãos. Se sentia bem apenas com Mikey, sem ter de ser culpada por John e Alice, os meios-irmãos mimados e insuportáveis que eram sempre apoiados pelo pai. Sentia falta da mãe, sempre boa com todos os filhos, apesar de trabalhar o dia todo. Lucy sempre cuidara dos irmãos enquanto estava fora, a mãe era o único motivo por não ter fugido de casa com Mikey. Encontrara Mikeu na rua com 12 anos de idade, remexendo o lixo. Quando o viu, soube imediatamente que era seu. Cuidou dele por dois dias antes que os pais descobrissem. Mas Mikey não se separara dela, e nem ela dele. Naquela época podia pegá-lo no colo como um bebê, já agora, ele era quase do seu tamanho quando se punha em pé com duas patas.
  Lucy o amava mais do que aos dois meios-irmãos mais o padrasto juntos. Ele a entendia, e ela o entendia de um modo no início incompreensível. Era seu amigo para todas as horas, que nunca a abandonava e a protegia como ninguém. Dera o nome de Mikey a ele em homenagem ao hamster que tivera com 4 anos. Não a superara ainda até encontrar o caõzinho.
 Mikey (o cachorro) não era parecido com um hamster, mas ele nunca aceitou outro nome. Seu pelo era branco como as nuvens depois de um banho (com excessão do focinho, que tinha uma linha preta), mas geralmente era cinzento ou bege de sujeira. Por isso Lucy o chamava de Tempestade, Chuvoso, Poeirinha ou Abacaxi (ele odiava o último, começava a fazer bagunça e choramingar). Mas Lucy geralmente chamava-o de Mik, ou Mikey, quando estava sendo especialmente carinhosa. Quando estava zangada, chamavá-o de Mikey Donald d'Inverno, e isso acabava deixando-a calma, já que sempre ria do nome que inventara.
 Mikey tinha olhos negros quase humanos, que apesar de escuros como a noite, tinham neles sempre um brilho, como um pedaço da Lua.
 Voltou até a sala e perguntou a Mik, que acordara e ligara a TV outra vez, como estava. "Estou bonita, Mikey?". Deu uma volta com o vestido e sorriu. Por um momento, pareceu-lhe que ele havia sorrido. Viu em seus olhos que estava linda. De algum modo, ela o entendia apenas pelos olhos. Beijou-o entre os olhos e disse "Obrigada, Mik. Você também está lindo assim. Mas.. tenho uma surpresa para você. Venha." Correu ao quarto e escondeu a surpresa atrás de si. Mikey rodeou-a "Quieto... espero que goste do presente. Feliz Natal querido". Então mostrou-lhe finalmente. Custou a vesti-lo com o novo smooking. Parecia o cachorro de um lorde, com o smooking preto e branco de botões e gola e lencinho vermelho no bolso do peito. Lucy riu enquanto Mik latia e farejava. "Você está bonito, Mik. Mas fique calmo, você ganhará outro presente à meia-noite. O cachorro parou e sentou-se, comportado, olhando-a com os grandes olhos negros. "Não, não vou dizer o que é. Tenha paciência".
Ouviram alguém bater palmas no portão, e Mikey correu imeditamente para lá. "Mikey, espera." Quem seria? Talvez os pais houvessem resolvido vir.
 "Quem é?" perguntou, sem obter resposta. Mikey arranhava o rústico portão de madeira. "Quem é?", perguntou outra vez, outra vez em vão. Olhou pela fresta da lateral e viu um garoto da idade dela, de cabelos encaracolados castanhos. Lucy sorriu e abriu o portão. "Bu!" gritou Leo, mas quem se assustou foi ele, pois Mikey pulou em cima dele, quase fazendo-o cair.
 "Mikey, quieto! Sai, sai.", repreendeu Lucy, fazendo os dois entrarem.
 "Desculpe-me, Leo, ninguém mandou tentar me assustar." Ela riu, mas quando se virou, Leo piscava, perplexo. "O que é?", perguntou Lucy.
 "N-nada, é que... você está linda, quer dizer, esse vestido fica lindo em você." Ele abaixou os olhos para a tigela que segurava.
 Lucy sorriu. Ele também estava bonito, com o terno marrom por cima da camisa branca, e os tênis de sempre. Era estranho vê-lo tão formal, já que todos os dias via-o de camiseta e shorts na escola.
 "Você, também, Leo, obrigada. Hã... o que é isso?", perguntou-lhe, apontando para a tigela.
 "Um... pote?" respondeu ele.
 "Oh, não me diga. O que tem dentro do pote?".
 "Chocolate. Bombons e biscoitos de natal".
 "Você quem fez?" perguntou, desconfiada. Leo morava sozinho em um apartamento com os avós, mas haviam viajado, e Leo não sabia cozinhar, que soubesse.
 Ele riu. "Não, comprei. Não faço a mínima ideia de como fazer biscoitos, quanto mais biscoitos com formatos diferentes."
 Lucy acompanhou-o para dentro de casa, e colocou os biscoitos dele junto às outras coisas que havia preparado.
 "Bom, ainda temos duas horas até meia-noite, então podemos conversar."
 Conversar não era fácil com Mikey pulando entre eles tentando roubar a atenção e fazendo de tudo para tirar o smoking. Lucy sabia o motivo da impaciêcia. Mik estava com ciúmes, é claro. Não que não tivesse motivos para isso. Leo era apaixonado por ela, isso se via apenas de olhar para ele. Lucy... não sabia o que sentia. Ele era tão bom... mas, depois da última pessoa por que havia se apaixonado, seu coração havia criado uma barreira contra o amor. O último havia quebrado seu coração em pedaços e pisado neles, tudo culpa sua. Fora tão idiota. Já fazia dois anos, devia ter esquecido. E esquecera, mas não se sentia segura para amar alguém de novo. Mas Leo...
 Conversaram o melhor possível sobre seus planos para o futuro e sobre como achavam que seria o próximo ano letivo. Conversaram sobre cães, sobre filmes, e sobre livros. Conversaram sobre eles mesmos. Pobre Leo, perdera o pai e mãe em um acidente de carro quando tinha 3 anos. Os avós cuidavam dele desde então. Viviam em um apartamento apertado, e Leo não tinha muitos amigos, por ser muito tímido. Ele e Lucy haviam se conhecido por meio da irmã dele, que era escritora, e Lucy admirava-a muito. Vira os dois juntos uma vez e pediu um autógrafo dela. Assim Leo e ela acabaram virando melhores amigos no primeiro mês de Ensino Médio.
 Quando deram por si, faltavam dez minutos para a meia-noite. "Oh, meu Deus, preciso arrumar a mesa!".
 Leo ajudou-a, e então faltavam apenas três minutos.
 "Venha, Mik, vamos ver os fogos, está quase na hora!". O cão apareceu na mesma hora, e juntos, os três sairam para a rua.
 Logo, deu meia-noite, e os fogos coloridos e barulhentos começaram a subir. Mikey começou a uivar. Lucy abraçou-o, beijou-o e desejou feliz Natal ao cachorrinho mais especial do mundo. Então abraçou Leo, e seu coração disparou, desejando feliz Natal. Ele disse o mesmo, e os fogos se extinguiram.
 Outra vez em casa, Mikey estava satisfeito e inquieto. Sabia que era hora do presente.
 Lucy pegou a pequena caixinha debaixo da árvore e Mik sentou-se. Ela abraçou-o de novo, ajoelhou-se ao lado dele e desfez o laço. Pegou a coleira de couro preto com plaquinha prateada onde se lia Mikey e colocou nele. Temeu que ele não gostasse, mas ele a lambeu e passou a caminhar pela casa como um rei. Meu pequeno rei, pensou Lucy.
 Então ela foi ao quarto e entregou o presente que havia comprado para Leo. Nunca tivera certeza se viria, mas comprara mesmo assim uma caneta com o nome dele gravado e um livro com que ele andara sonhando.
 "Puxa, obrigado, Lucy. Eu adorei. Agora o seu presente."
 Ele lhe entregou alguns papéis. "É o novo livro da minha irmã, que só será lançado na metade do ano que vem. Ela fez uma cópia e deixou que eu desse pra você. Sei como... você estava ansiosa. Ela mandou um feliz Natal".
 Lucy simplesmente ficou tão louca de alegria que beijou-o no rosto e agradeceu. Ele ficou todo vermelho, mas o telefone tocou, salvando-a do constrangimento.
 Depois de desejar um Feliz Natal para os pais no telefone, Mikey lhe entregou um pedaço de papel rabiscado, com a marca de uma para e uma tentativa de desenho de uma caixa embrulhada com o lápis preto que sumira. "Awn, Mik, obrigada! Eu amei, não sabia que você sabia desenhar. Estou tão orgulhosa!". Ele empertigou-se todo de orgulho.
 Então finalmente foram jantar. Estavam os três mortos de fome, principalmente Mikey, que comeu um quarto do peru, uma tigela de arroz (o que era metade do arroz que Lucy havia feito) e quase todos os biscoitos de Natal de Leo. Pelo menos depois disso Lucy tirou uma foto com os três juntos e uma apenas com ela e ele, e tirou-lhe o smoking. Mik foi dormir embaixo da árvore, e Leo e Lucy subiram ao telhado da casa (Lucy insistiu, já que amava aquele lugar).
 "Se cairmos a culpa é sua", disse Leo.
 "Não vamos cair, seu bobo. Subo aqui sempre, e estou inteira. Além disso, se eu cair, bem... você é o cavalheiro aqui. Tem de me salvar."
 Eles riram e ficaram olhando as estrelas. Ela mostrou-lhe uma constelação. Ele não conseguiu encontrar. Ela ficou de pé no telhado, descalça, e fingiu que tropeçava. Ele disse "Quer me matar do coração?" e fê-la sentar de novo, mais perto dele. Ela sorriu. "Só estava te fazendo provar que iria me pegar se eu caísse."
 "Muito engraçadinha. Não teve graça nenhuma". Disse Leo, irônicamente.
 Um minuto depois ele tirou uma caixinha do bolso.
 "O que é isso?" perguntou Lucy.
 "Uma caixinha?" sugeriu o garoto.
 Ela suspirou. "Muito engraçadinho. O que tem dentro?" revirou os olhos.
 "Cabe a você descobrir, é seu presente". Leo lhe entregou a caixinha.
 Ela abriu, cheia de curiosidade, e um anel sintilou.
 "Oh, que lindo Leo... não precisava, não mesmo. Por que me deu isso?".
 "Porque... " ele pegou o anel e girou-o, para colocá-lo no dedo dela.
 Ela ergueu a mão para deixar colocar o anel, e estava prestes a perguntar de novo, quando viu.
 I Love You
 estava escrito na prata, entre pedrinhas brilhantes. Leu de novo, o anel havia ficado perfeito em seu dedo.
 "Oh, eu..." seus olhos cinza-azulados encontraram os doces olhos castanhos dele.
 Sentiu a barreira em seu coração se quebrar, e disse, pensando no que Mikey acharia daquilo
 "I love you too".
 Se beijaram sob um céu estrelado e sobre todas as famílias e casais que comemoravam o Natal. De fato, o Natal era mágico.
 Até que ouviram o leve rosnado.
 Mikey estava equilibrado no telhado atrás de Leo, com os olhos negros (que pareciam azuis no escuro)  fitando-os com desconfiança.
 "Ah, Mik... venha cá."
 Ele deitou a cabeça no colo dela, e ela murmurou a seu ouvido "Ninguém vai pegar o seu lugar no meu coração, meu (pensou em dizer abacaxizinho, mas mudou de ideia) pequeno Mik. nem mesmo Leo. Ninguém mais será meu heroi".
 Ele fechou os olhos e pareceu adormecer. Leo sorriu e ela encostou a cabeça no ombro dele.
 De manhã, haviam acabado dormindo no telhado, o cachorro no colo da garota, a garota no colo do garoto, e o garoto quase caindo do telhado.
 Quando acordaram, gritaram e riram.
 O Natal estava apenas no começo, mas já havia sido mágico.
 Afinal, estejamos com a família, com o cachorro, com os amigos...
 Natal é sempre Natal."

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal Semideuses!!

Feliz Natal para todos os semideuses e mortais que leem este blog!!!
Estou desejando um Feliz Natal e um próspero Ano-Novo!! Que todos os sonhos sejam realizados nesse ano que se aproxima!!

Ps para semideuses: cruzem os dedos para que a reunião que teve dia 21 faça valer a pena. Afinal, pode ser que os deuses possam ter decidido fazer um Acampamento Meio-Sangue no Brasil.



sábado, 17 de dezembro de 2011

Filha de Ártemis - Cap 2

Mais um capítulo para os leitores. Espero que gostem.
Capítulo 2 - Semideus



POV : Laguna
Eu sabia que alguma coisa estava errada. Olhei no relógio de novo, vinte minutos atrasado. Ele só demorava assim quando estava sendo κυνήγησαν (perseguido) por τέρατα (monstros).
Estava na cozinha preparando o nosso almoço. Quando finalmente ouvi a porta abrir, fui encontrar ele. Will estava tirando a mochila das costas. Ele me ouviu, seu cabelo loiro estava bagunçado, como fica depois de correr, os olhos castanhos estavam mostrando uma mistura de ανησυχία και ανακούφιση (preocupação e alívio).
Fui até ele e o abracei.
- μητέρα (mãe).
-Culpa de um monstro, certo?
Ele assentiu. Como imaginei...
- Tudo bem, falamos sobre isso depois. Vamos almoçar.
***
Terminamos de almoçar. Eu estava preocupada com o meu filho, ele comeu bem menos que o normal, então a coisa estava muito επικίνδυνη (perigosa).
- Mãe, os monstros estavam a menos de quinze metros.
Levantei a cabeça. A primeira coisa que eu falei foi muito inteligente...
- Menos de QUINZE? Isso é impossível, todas as vezes que você os vê. Eles estão sempre muito longe. Isso é muito perto.
-Esperanza, pode me contar como fazer para eles pararem, por favor, eu não quero que os monstros venham e façam mal a você.
 - Meu protetor... E muito fofo você querer isso. Mas eu tenho uma ideia melhor!
Ele me olhou de um jeito estranho, como se pensasse ' Será que vai funcionar?'
- Mãe, que plano?
- Primeiro: vamos para o seu quarto arrumar uma mochila.
- Ta. E depois?
- Vamos falar sobre seu pai.
Não estou exagerando... A boca dele se escancarou. Apos ele se recuperar do susto fomos para o quarto arrumar a mochila.
POV: Willian
Eu desde que tinha chegado estava preocupado. Os monstros NUNCA chegavam perto de mim daquele jeito, se bem que minha mãe notou na hora em que falei, mas quando eu fiz aquela pergunta, descobri, que minha vida não seria mais a mesma. De duas coisas eu tenho certeza, minha mãe tem planos fáceis para situações de emergência. Mas eles são longos, por essa parte eu não estava ansioso.
- Mãe, que plano?
- Primeiro: vamos para o seu quarto arrumar uma mochila.
- Ta. E depois?
- Vamos falar sobre seu pai.
Eu não vou dizer que estava έκπληκτος (surpreso), eu estava mais que isso. φοβισμένη (Assustado)? Talvez, mas não, eu sentia os dois juntos. Minha boca caiu com as palavras que ela falou. Meu pai, ela ia falar sobre o meu pai! Eu não perguntava muito dele, porque não me interessava muito em saber sobre ele. Na verdade ela não falava para mim: 'Puxa, como você esta parecido com seu pai'. Ela normalmente falava sobre um amigo que ela fez no 2º grau, falava que eu o lembrava. Eu gostava de ouvir isso, ela sempre, quando me elogiava dizia 'Você e tão esperto quanto seu pai'.

***
Chegamos no quarto e arrumamos a mochila. Ela deu aquele sorriso que aquece o mais frio dos corações.
- Filho, hora de saber mais sobre seu pai.
Eu sentei na cama do lado dela.
- Sabe seus livros de mitologia?
Meus olhos devem ter έλαμψε (brilhado), porque ela sorriu.
- Nem preciso da resposta. Os deuses, titãs, sátiros e tudo da mitologia existem. Seu pai e um desses deuses, ele pode ser um dos doze, ou um dos menores.
Eu pensei mais um pouco e lembrei a palavra que queria.
- Quer dizer que eu sou um ημίθεος (semideus)?
- Sim, querido.
Eu não estava assustado, afinal, minha vida já era estranha antes disso. Ser filho de um deus não me impressionou muito, isso explicava ainda mais as diferenças que eu tinha dos outros.
- Para onde eu vou?
Ela respirou fundo, como se doesse falar sobre aquele lugar.
- Um acampamento.
- Onde?
- No estreito de Long Island.
- Como vou chegar lá?
- Do jeito que preferir.
Sorri, não era todo o dia que ela dava essa possibilidade.
- Correndo - respondi.
***
Eu fui embora pela janela do quarto, que dava para a escada de emergência. Eu desci correndo, pois antes de ir eu ouvi batidas na porta e senti monstros. Não estou brincando eu sinto quando eles estão perto, não pergunte o porquê.
Cheguei ao asfalto e comecei a correr, a velocidade em que estava era perto de 30 km/h. Ouvi mais monstros me seguindo, disparei para 40 km/h. E fui sem parar.

POV: Lilian
(Na mesma manhã do capítulo anterior)
Estava na van, Helen ao meu lado. Percy e Annabeth na frente, ele dirigindo, e ela conversando animadamente com ele. Sorri era minha primeira vez fora do acampamento desde a πόλεμος (Guerra) contra Cronos. Estávamos passando em frente de um posto, quando senti algo diferente.
- Percy. - falei, alto o suficiente para ele escutar - Semideuses por perto.
Annie parou de falar assim que me ouviu.
- Onde? - os dois perguntaram juntos.
- No posto.
- πόσες (Quantos)? - Helen fez essa pergunta só para me irritar, tenho 99% de certeza.
- Helen você sabe que eu não sei dizer isso.
Ela deu uma risada, afinal, só tinha feito a pergunta par irritar.
Percy estacionou. Saímos do carro, e tudo estava estranhamente quieto. Quando entramos no posto nós vimos a cena mais inesperada do mundo.
Pensou em:
1º- Semideuses jovens amarrados gritando por ajuda. E um monstro grande e feio de costas para a porta.
2º- Semideuses jovens amarrados e amordaçados se contorcendo tentando conseguir liberdade. E um monstro grande e feio preparando um caldeirão para cozinhá-los.
Pensou em algum desses? Se foi o primeiro... Errou. Segundo... Errou também.
Semideuses sentados rindo e conversando normalmente, como θανάσιμα (mortais). Tudo em ordem, nenhum monstro à vista. Essa era a resposta certa.
Fala sério! Eu nem imaginava que isso era possível. Todos do acampamento diriam que isso é mentira. Quando vimos a incrível cena todos estavam de olhos arregalados, até Annabeth parecia έκπληξη (surpresa).
Tinham apenas nós, os funcionários e três pessoas. Essas pessoas estavam sentadas numa mesa falando, normalmente. Eu soube olhando-os que todos eram meio-sangues.
Naquele grupo tinha uma menina com os cabelos loiros cacheados e seus olhos eram de um γαλάζιο (azul claro) hipnotizante, ela era bem bonita, acho que poderia ser filha de Afrodite. Um menino estava ao lado dela, ele tinha o cabelo castanho escuro e olhos πράσινος (verdes), muito verdes. A outra pessoa que estava sentada com eles era uma menina com os cabelos μαύρος (negros) e olhos castanhos esverdeados.
Quando perceberam que estávamos observando eles pararam de falar. Andei até eles, eu sabia muito bem o quanto é difícil saber que é meio sangue.
- Oi. - comecei.
- Oi - disseram os três ao mesmo tempo.
- Quais são seus nomes? - perguntou Helen, me assustando, ela chega silenciosa como um ladrão.
- O meu é Kath - falou a garota de cabelos escuros - E esses são Theo e Clair.
- O meu é Annabeth, estes são Percy, Helena e Lilian. - disse Annie apontando respectivamente para cada um de nós.
- Bom o que vamos falar agora, pode assustar vocês. - Percy.
- Percy não os assuste, senão eles não vão querer ir para o acampamento.
Quem falou isso? Annie? Errado! Eu? Errado! Helena? Certo.
- Pode falar, não vamos falar que vocês são malucos. - Clair falou.
- Sabe μυθολογία (mitologia)?
- τιτάνες, Θεοί e Δρυάδων (Titãs, Deuses e Dríades), isso? - foi a primeira vez que Theo falou desde que chegamos.
- Sim. - eu respondi. – Bom. Tudo o que você falou existe.
Eles arregalaram os olhos de surpresa.
- E isso não é o maior, - continuei - os semideuses também existem, e vocês são.
- Semideus, semideus... - Kath murmurou, acho que estava tentando lembrar o que era. Todos estavam com a mesma cara pensativa.
'Puxa, com essa cara de esforço eles me assustam'
- Lembrei!!!!! - Theo pareceu ficar muito feliz por isso, ele quase gritou.
- O que são? - perguntaram as outras duas.
- Semideus é o nome dado ao fruto de um deus com um mortal. - recitou ele com uma voz bem formal - É isso, não?
- Sim. - falamos (eu, Helen, Annie e Percy juntos).
- Por que você quase gritou naquela hora?- Annie perguntou.
Theo sorriu, devia ser um assunto engraçado.
- Explicamos depois.
- É verdade, depois sim, porque monstros podem vir a qualquer momento. Vocês aceitariam ir para um acampamento em que pode ficar o ano inteiro? - Annabeth impaciente. Perigo!!!
- Sim! - eles disseram em uníssono.
***
Foi só entrar na van que eles foram reclamados. Acima da cabeça de Theo apareceu uma cornucópia e a roda da fortuna, em Clair apareceu um pequeno jarro e o símbolo olimpiano (ômega encima de galhos de oliveira) e na Kath apareceram espigas e papoulas.
Helena que já estava sentada se levantou e, tentou imitar a voz de Quíron:
- Digam saudações para: Theo, filho de Τύχη (Tique), deusa da fortuna e destino; Clair, filha de  Ήβη (Hebe), deusa da juventude e copeira dos deuses; e, por fim, Kath filha de Δημήτηρ (Deméter), deusa da terra cultivada e colheitas.
Depois disso, ninguém aguentou segurar a risada. Na metade do caminho, relembramos a explicação que eles estavam devendo.
- Bom... - Clair começou - Na detenção só quatro pessoas vão lá todo o dia, eu, Theo, Kath e um amigo. Esse amigo αγάπη (ama) mitologia, ele sempre leva um livro sobre esse assunto na mochila. Hoje mesmo ele levou um sobre Titãs. Para cada dia tem um pouco de explicação na detenção. E os livros dele são bem diferentes, parecem que estão em grego antigo mesmo.
Eu e Helen nos entreolhamos, parecia que estávamos pensando na mesma coisa. E falamos no mesmo momento.
- Ele é um semideus!!